Política

Aécio Neves desiste de disputar a Presidência e prevê "eleição mais fratricida" do Brasil

Presidente do PSDB defende neutralidade no 1º turno e diz que partido vai liberar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro no 2º turno

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Aécio Neves desiste de disputar a Presidência e prevê "eleição mais fratricida" do Brasil

Presidente do PSDB defende neutralidade no 1º turno e diz que partido vai liberar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro no 2º turno

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O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) confirmou que o PSDB não terá candidato à Presidência da República em 2026 e classificou o cenário eleitoral como uma "armadilha da radicalização política" entre os polos formados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao jornal Estadão, publicada nesta quarta-feira (8), o presidente do partido afirmou temer estar prestes a testemunhar "a eleição mais fratricida da história recente do Brasil".

Segundo Aécio, a estratégia do partido será apoiar uma candidatura de centro no primeiro turno, mas ele reconhece que, a três meses da eleição, ficou difícil viabilizar esse caminho. "Vamos dar um passo atrás para dar vários à frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora, já nestas eleições", disse.

Antes de descartar uma candidatura própria, Aécio chegou a sondar o ex-ministro Ciro Gomes, recém-retornado ao partido, mas o cearense optou por disputar o governo do Ceará contra o atual governador Elmano de Freitas (PT). O nome do próprio Aécio também chegou a ser cogitado, mas foi descartado.

Para o segundo turno, Aécio estimou que cerca de 70% dos quadros tucanos tendem a votar contra o PT, enquanto os 30% restantes, concentrados no Nordeste, podem não fazer campanha contra Lula. O deputado evitou dizer qual dos dois nomes seria mais prejudicial ao país caso vencesse a eleição, mas fez críticas a ambos: classificou o atual governo como um exercício de "poder pelo poder" e disse que o discurso de Flávio Bolsonaro se resume a tentar "resgatar o legado do pai".

Questionado especificamente sobre o impacto do caso do Banco Master na disputa eleitoral, Aécio foi direto: avalia que há um esforço conjunto da esquerda e da direita para conter os danos do escândalo até depois das eleições. "Se avança, por exemplo, uma delação do Vorcaro, eu acho que boa parte do Brasil esperava que isso acontecesse, salva muito pouca gente", afirmou.

Sobre uma eventual candidatura própria ao Senado por Minas Gerais, cargo que ocupou entre 2011 e 2019, Aécio disse não ter decisão tomada. Afirmou que a prioridade é reconstruir o partido, hoje com apenas 18 deputados federais, ante quase 100 no auge, durante o segundo governo FHC. Para 2026, o deputado projeta que o PSDB mais do que dobre sua bancada na Câmara, com cerca de 35 parlamentares eleitos, além de candidaturas competitivas a governos estaduais, incluindo Ciro Gomes no Ceará, JHC em Alagoas e Vicentinho Júnior em Tocantins.

Autor

Mateus Oliveira é cientista político formado pela Universidade de Brasília. Fundador do portal Eixo Político, trabalhou por 6 anos na Câmara dos Deputados e passou pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Tem experiência na área de advocacy e análise política e já cobriu presencialmente as eleições do Brasil, Estados Unidos, Chile e Argentina.

Mateus Oliveira é cientista político formado pela Universidade de Brasília. Fundador do portal Eixo Político, trabalhou por 6 anos na Câmara dos Deputados e passou pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Tem experiência na área de advocacy e análise política e já cobriu presencialmente as eleições do Brasil, Estados Unidos, Chile e Argentina.

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