Política

Aposta de Lula em Minas, Pacheco se filia ao PSB e deixa candidatura ao governo em aberto

Senador deixa o PSD após articulação do presidente para ampliar o campo democrático em Minas Gerais

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Aposta de Lula em Minas, Pacheco se filia ao PSB e deixa candidatura ao governo em aberto

Senador deixa o PSD após articulação do presidente para ampliar o campo democrático em Minas Gerais

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O senador Rodrigo Pacheco deixou o PSD e se filiou ao PSB nesta quarta-feira (1º), em ato realizado em Brasília que contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, Márcio França, e do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A filiação é resultado de uma longa articulação do presidente Lula para ter Pacheco como palanque do campo governista em Minas Gerais nas eleições de outubro.

O caminho até o PSB não foi direto. Entre as siglas consideradas estavam o União Brasil, por articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o MDB, opção que esbarrou na presença do ex-vereador Gabriel Azevedo, pré-candidato ao governo de Minas pela legenda. O próprio Pacheco lembrou no discurso que já havia tentado se filiar ao PSB em 2017, por iniciativa do deputado Júlio Delgado, mas que "por circunstâncias alheias à vontade" a filiação não se concretizou. "Com nove anos de atraso, eu estou aqui", disse.

No discurso, Pacheco deixou a candidatura ao governo de Minas em aberto e sinalizou que qualquer decisão virá apenas perto das convenções partidárias, marcadas para julho. "As definições em relação às eleições virão ao longo dos próximos tempos, até o momento da convenção", afirmou. O senador ressaltou que uma eventual candidatura do PSB "não pode nascer do alinhamento em Brasília", numa leve crítica à tentativa do governo de forçar sua candidatura, e deve emergir de uma construção genuína a partir de prefeitos, vereadores, deputados e segmentos da sociedade civil. Ele citou os desafios de Minas, estado com 853 municípios, mais de 21 milhões de habitantes e uma dívida de 200 bilhões de reais com a União, como justificativa para a necessidade de um "projeto comum" antes de qualquer definição de nomes.

Na coletiva após o ato, Pacheco deixou claro que a construção política em Minas passará por um diálogo amplo com praticamente todos os campos. Ele citou conversas já iniciadas com o presidente do PSDB, Aécio Neves, e mencionou pelo nome pré-candidatos de diferentes espectros, como Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB), além da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). "Em Minas, a gente faz o que mais sabe fazer, que é conversar", afirmou. O senador não descartou que o candidato ao governo pelo campo democrático possa ser um nome que não o seu: "pode eventualmente ser um outro nome que tenha condições de fazer essa personificação de uma causa que é muito mais ampla".

O ex-presidente do Senado também revelou que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) meia hora antes de chegar ao ato de filiação. Segundo ele, Lula o cumprimentou pela chegada ao PSB e reafirmou o compromisso de "olhar para Minas de maneira diferenciada". O senador cobrou dessa aliança com o governo federal entregas concretas ao estado, citando a dívida de 200 bilhões de reais com a União e áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança como prioridades urgentes. "Minas tem tudo por fazer", disse.

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