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Os mais de oitenta mil torcedores presentes no MetLife Stadium, na região metropolitana de Nova York, para o jogo entre Brasil e Marrocos pelo Grupo C da Copa do Mundo, testemunharam uma das mais confusas estreias da seleção canarinho de sua história.
Do pontapé inicial da partida (ou do kick inicial, talvez devamos dizer, considerando a moda das verdadeiras bicudas para frente na saída de jogo) até a parada para hidratação, nos meados do primeiro tempo, viu-se um time nervoso, sem saída de bola e engessado por suas improvisadas peças nas laterais: Ibanez e Douglas Santos.
A falta de construção de jogo pelos corredores forçou a saída de bola por um meio-campo congestionado. Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá formavam o setor; Casemiro e Paquetá, em especial, erraram tudo aquilo que tentaram neste primeiro terço da peleja.
Essa desorganização forçou maior demanda pelo recuo de Vinícius Jr., aberto pela esquerda, para o meio-campo. Completando o ataque, pelo meio e livre, Raphinha pouco conseguiu produzir; Igor Thiago, por sua vez, atuou em rotação mais lenta e menos apurada do que o ritmo do jogo pede.
Há de se ressaltar que a seleção brasileira não jogou mal sozinha. Enfrentava um Marrocos eficiente, veloz e que apertou a saída de bola dos pentacampeões. Os marroquinos conseguiram recuperar bolas sob pressão com facilidade e cruzavam a intermediária brasileira sem grande marcação.
Assim saiu o gol de Ismael Saibari, aos 20 minutos, após a recuperação de uma dessas desatentas bolas trocadas na intermediária defensiva brasileira. Ele rapidamente foi acionado por um passe vertical que cruzou um clarão no meio-campo canarinho.
O fim do tenebroso primeiro terço do jogo foi marcado pelo tento de Vinícius, aos 31, um lance técnico e de individualidade pela linha de fundo esquerda do ataque brasileiro. Sem esse feito, seria possível que a situação do escrete afundasse ainda mais em nervosismo e afobação.
O segundo tempo teve marcha lenta de ambos os lados. O Brasil melhorou com a entrada de Fabinho e do experiente Danilo no intervalo, que substituíram Casemiro e Ibanez, respectivamente. A dupla troca foi técnica e preventiva, já que ambos os substituídos jogavam pendurados — Casemiro recebeu amarelo aos 36 minutos e Ibanez aos 42 —, sob risco de expulsão.
Com a entrada de Matheus Cunha no lugar de Lucas Paquetá e de Luiz Henrique na posição de Igor Thiago, o time se tornou um 4-4-2, que liberava Raphinha e Vini Jr. para o ataque. Por fim, já na reta final, Danilo Santos substituiu Bruno Guimarães, que fez bom jogo.
Pouco se criou neste fim de jogo. As chances mais claras ficaram para o Marrocos, já nos acréscimos.
O resultado final simboliza o contexto de duas equipes que, de fato, não têm grandes diferenças entre si no aspecto da qualidade técnica e coletiva. Aliás, o time marroquino apresentou evidente superioridade tática quando foi necessário. A vitória escapou de suas mãos pela individualidade de um jogador premiado como melhor do mundo em 2024.
O técnico Carlo Ancelotti terá o desafio, para o prosseguimento do torneio, de criar um sistema de jogo que utilize mais os lados do campo de modo coletivo. O meio apresenta problemas para centralizar a construção de jogo e sofrerá ainda mais diante de adversários fortes nas fases subsequentes, caso a seleção ultrapasse a fase de grupos.
Resta ainda uma pergunta. Por que Endrick não entrou no segundo tempo? O atacante resolveu alguns dos últimos jogos da seleção, e sua ausência, num confronto que pedia poder de decisão, ficou sem explicação.




