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O pior trabalho do mundo pode estar prestes a ser da América Latina e do Caribe

Um artigo de Daniel Calarco, advogado formado pela FGV e fundador do Observatório Internacional da Juventude.

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O pior trabalho do mundo pode estar prestes a ser da América Latina e do Caribe

Um artigo de Daniel Calarco, advogado formado pela FGV e fundador do Observatório Internacional da Juventude.

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A escolha do próximo Secretário-Geral da ONU, em 2026, acontecerá em um dos momentos mais desafiadores da história do multilateralismo: pressão fiscal, rivalidade geopolítica e crescente erosão de confiança nas instituições internacionais.

Mas há dois pontos pouco ditos, e politicamente incontornáveis.

A América Latina e o Caribe seguem sendo uma das regiões menos representadas na liderança recente da ONU.

Mais do que uma questão de rotação informal, trata-se de contexto histórico.

Somos uma região marcada pela relativa ausência de conflitos interestatais, pela tradição de resolução pacífica de controvérsias e pelo compromisso com o direito internacional — e, apesar de desafios persistentes, com avanços consistentes na adesão a regimes de direitos humanos.

Em um cenário em que grandes potências tensionam e, em alguns casos, contornam as regras multilaterais, a América Latina ocupa uma posição singular.

Seja por compromisso ou necessidade, somos uma das últimas regiões a ainda apostar na ONU como espaço legítimo de coordenação global.

Mas quem assumir em 1º de janeiro de 2027 terá que ser mais do que uma liderança latino-americana e caribenha.

O mundo aguarda a indicação da primeira mulher para liderar o sistema multilateral.

As mulheres representam quase metade da população mundial, cerca de 50%, e nunca ocuparam o cargo de Secretária-Geral da ONU.

Isso não é apenas uma lacuna simbólica.

É um déficit de legitimidade.

Se este é o momento da América Latina, também deve ser o momento de uma liderança feminina.

Não por identidade, mas por coerência com os princípios que o próprio sistema multilateral afirma defender: representação, inclusão e universalidade.

Nomes qualificados não faltam na região, entre diplomatas, chefes de Estado e lideranças multilaterais. O debate já começa a ganhar forma.

A questão central, no entanto, permanece: a próxima liderança da ONU não será definida apenas por geografia ou gênero, mas pela capacidade de reconstruir a credibilidade do sistema e transformar compromissos em resultados.

E isso exige algo cada vez mais raro: lideranças que ainda acreditam no multilateralismo e sabem fazê-lo funcionar.

Autores

Presidente e fundador do Observatório Internacional da Juventude. Daniel atuou como Conselheiro Nacional da Juventude para a Presidência do Brasil e foi nomeado Jovem Líder Global pelo PNUD - Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, e é reconhecido como um Construtor da Paz Jovem pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas. Daniel participou do programa Yale Young Global Scholars e do programa Leaders of Tomorrow do Consulado Americano no Rio e atualmente é Obama Scholar na Universidade de Columbia e faz parte do Conselho Jovem do Pacto Global das Nações Unidas. Além disso, coordenou o Pacto pela Juventude da UNESCO e se formou em direito na FGV Direito Rio.

Presidente e fundador do Observatório Internacional da Juventude. Daniel atuou como Conselheiro Nacional da Juventude para a Presidência do Brasil e foi nomeado Jovem Líder Global pelo PNUD - Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, e é reconhecido como um Construtor da Paz Jovem pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas. Daniel participou do programa Yale Young Global Scholars e do programa Leaders of Tomorrow do Consulado Americano no Rio e atualmente é Obama Scholar na Universidade de Columbia e faz parte do Conselho Jovem do Pacto Global das Nações Unidas. Além disso, coordenou o Pacto pela Juventude da UNESCO e se formou em direito na FGV Direito Rio.

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