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O trabalhista Andy Burnham tomou posse nesta segunda-feira (20) como primeiro-ministro do Reino Unido, sucedendo Keir Starmer, que renunciou após apenas dois anos no cargo. É o sétimo chefe de governo britânico em uma década — instabilidade que o próprio Burnham reconheceu em seu primeiro discurso em Downing Street.
"Sei que as pessoas em casa estão fartas da política. Eu ouço vocês e quero ser honesto: nós não fomos bons o suficiente, e precisamos ser melhores", afirmou, falando sem anotações diante da sede do governo. Burnham classificou sua chegada ao poder como um "momento de recomeço" para o país e prometeu apresentar ainda este ano um plano de 10 anos para transformar o Reino Unido.
A posse veio após encontro com o rei Charles III no Palácio de Buckingham. A ascensão de Burnham foi selada no mês passado, quando ele venceu uma eleição parcial em Makerfield, no norte da Inglaterra, reduto trabalhista onde o Reform UK de Nigel Farage vinha ganhando força. A vitória demonstrou aos parlamentares do partido — receosos de perder suas cadeiras na próxima eleição — que Burnham era capaz de enfrentar a ameaça do populismo de direita. A disputa pela liderança rapidamente se transformou em aclamação, com maioria dos 403 parlamentares trabalhistas declarando apoio ao ex-prefeito de Manchester.
Em seu discurso, Burnham anunciou que medidas contra o custo de vida serão detalhadas a partir desta terça-feira, incluindo possíveis cortes em contas de energia e tarifas de transporte. Também sinalizou que estuda cortar o imposto de renda para as faixas mais baixas no próximo orçamento — a faixa de isenção está congelada há cinco anos em 12.570 libras — mas recusou descartar a volta da alíquota de 50% para os rendimentos mais altos, medida criada pelo governo de Gordon Brown em 2010.
Sua primeira instrução no cargo foi ordenar o fim da situação de rua no país — promessa que já havia feito ao assumir a prefeitura de Manchester em 2017, sem conseguir cumpri-la integralmente. Na época, os números caíram, mas voltaram a subir nos anos seguintes. Agora, Burnham tem à disposição um conjunto de instrumentos consideravelmente maior do que os que tinha como prefeito.
Burnham também anunciou que sua gestão promoverá "as maiores mudanças dos últimos 40 anos", em referência ao que chamou de erros cometidos na era Thatcher: centralização do poder político, privatizações e desindustrialização de grandes regiões do país. A descentralização de poder para além de Londres é a marca central de sua plataforma, forjada durante os anos como prefeito de Manchester, quando ganhou a alcunha de "Rei do Norte" por impulsionar a economia e o transporte público da região.
As mudanças no gabinete começaram ainda na segunda-feira. Rachel Reeves deixou a chancelaria e David Lammy foi removido do cargo de vice-primeiro-ministro. Shabana Mahmood, Ed Miliband e John Healey foram vistos entrando em Downing Street para assumir postos no novo governo.
Burnham também falou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira conversa com um líder estrangeiro no cargo.
Os desafios que derrubaram Starmer, porém, seguem à espera do novo premiê: restrições orçamentárias severas, um sistema de saúde (NHS) pressionado, reformas migratórias em tramitação no Parlamento e os efeitos persistentes do Brexit, da pandemia e da crise energética. Como resumiu o analista Simon Kaye, do think tank Re:State: "Trata-se, na verdade, de um experimento em tempo real sobre a importância do mensageiro. As restrições fiscais serão as mesmas."



