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A inflação oficial do Brasil acelerou em março. O IPCA subiu 0,88%, acima dos 0,70% de fevereiro e além das projeções do mercado, que esperavam alta de 0,76%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses saltou de 3,81% para 4,14%, se aproximando do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. A mediana das projeções do mercado para o IPCA de 2026 já subiu pela quarta semana consecutiva no boletim Focus, alcançando 4,36%.
A pressão inflacionária veio de setores como transportes e alimentação, que, juntos, respondem por 76% do índice de março. Nos transportes, gasolina (4,59%), diesel (13,90%) e passagens aéreas (6,08%) puxaram a alta, já refletindo os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sobre as cotações do petróleo. Na alimentação, o destaque foi o tomate (20,31%) e o leite longa vida (11,74%), em um contexto de redução de oferta e encarecimento do frete por conta dos combustíveis mais caros. Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram alta, o que reforça a disseminação da pressão inflacionária.
Esse aumento da inflação além das expectativas do início do ano coloca o Banco Central em uma posição delicada. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 28 e 29 de abril para definir a Selic, a taxa básica de juros, que hoje está em 14,75% ao ano, após ter iniciado um ciclo de cortes em março. Economistas já avaliam que a combinação de guerra no Oriente Médio, combustíveis em alta e risco de El Niño no segundo semestre pode levar o BC a reduzir a intensidade dos cortes, frustrando expectativas de uma queda mais rápida na política de juros.
Para o governo Lula, a aceleração da inflação em ano eleitoral é um problema. De um lado, aumenta a pressão política e da sociedade por medidas de contenção dos preços, como o pacote anunciado pelo Planalto na última semana. De outro, essas medidas têm custo fiscal elevado e podem comprometer o equilíbrio das contas públicas, alimentando justamente as expectativas de inflação que o governo tenta controlar.




