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A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva confirmou neste sábado (4) que permanecerá na Rede Sustentabilidade e se colocou à disposição para disputar a segunda vaga ao Senado por São Paulo, ao lado de Simone Tebet (PSB), na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo do estado. A decisão foi anunciada em nota pública e encerra meses de incerteza sobre o futuro político da ambientalista.
Marina havia recebido convites do PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e PSOL para se filiar, mas optou por permanecer no partido que ajudou a fundar em 2015. Na nota, ela afirma que a permanência é "uma decisão política que reafirma o compromisso pela reeleição do presidente Lula e pela vitória importante para São Paulo de Fernando Haddad". A deputada deixa claro, porém, que seguirá apoiando candidaturas do campo democrático em diferentes legendas.
A decisão, divulgada neste sábado, acontece em meio a uma crise interna dentro da Rede que já se estende há alguns meses. A tensão se aprofundou após a eleição para a Presidência do Diretório Nacional do partido, quando o candidato apoiado por Marina foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena, com quem a deputada está rompida desde 2022. Em dezembro, aliados de Marina publicaram um manifesto contra a direção nacional da sigla, criticando mudanças no estatuto e denunciando perseguição interna. A Justiça chegou a anular o congresso nacional da Rede que deu maioria ao grupo de Heloísa Helena, e uma liminar recente suspendeu resolução que dificultava pedidos de desfiliação, medida que aliados de Marina interpretaram como instrumento de coerção política.
Na nota, Marina afirma que seguirá "fazendo o bom combate da democracia" e que trabalhará para "resgatar os princípios e valores que lastreiam a fundação" do partido. Segundo ela, a Rede "vem, de forma antidemocrática, sendo ilegitimamente subtraída" dos valores que orientaram sua criação.
Candidata à Presidência em 2010, pelo PV, e em 2014, pelo PSB, quando assumiu a vaga após a morte de Eduardo Campos, Marina somou mais de 40 milhões de votos nas duas disputas. Em 2018, foi novamente candidata a presidente, desta vez pelo partido que criou. Em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo com 237.526 votos e, agora, mira o Senado como parte da frente ampla que busca garantir as vitórias de Lula e Haddad no estado mais importante eleitoralmente do país.



