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A transição sustentável da moda brasileira não começa na vitrine. Ela começa no campo, passa pela indústria, mobiliza saberes tradicionais e tecnologias e ganha identidade nas mãos de costureiras, artesãs, designers, estilistas, recicladores e tantos outros profissionais que fazem parte de uma das cadeias produtivas mais criativas e estratégicas do país.
Essa foi a principal reflexão apresentada pela ONA Global Consulting durante a mesa de alto nível “Lifestyle for Climate: Moda, Circularidade e Estilos de Vida Sustentáveis”, realizada no AYA Hub, como parte da programação da São Paulo Climate Week 2026.
Promovido pela ONA, o encontro reuniu representantes da moda, da academia, do setor privado, do poder público e da área jurídica para discutir circularidade, inovação, políticas públicas, mercado e novos modelos de produção e consumo. Participaram Daniel Calarco, CEO da ONA Global Consulting; Rayssa Scotton, gerente executiva de Projetos da IMM; Maíra Zimmermann, coordenadora do curso de Moda da FAAP; Monayna Pinheiro, professora da FAAP e especialista em sustentabilidade; Maria Christina Motta Gueorguiev, sócia de Direito Ambiental, Mudanças Climáticas e ESG do Veirano Advogados; Will da Afro, designer e criador da AFROPERIFA; e Gustavo Lopes, secretário municipal de Turismo de São Paulo.
Para a ONA, enfrentar os impactos ambientais da moda exige olhar para toda a cadeia produtiva. Isso significa discutir a origem e a rastreabilidade de matérias-primas como algodão, couro e linho; promover processos industriais mais limpos e eficientes; ampliar a circularidade; valorizar os territórios produtores; e garantir condições dignas para os trabalhadores que sustentam o setor.
“Precisamos superar a ideia de que moda é apenas consumo ou uma questão restrita às passarelas. Moda é agricultura, indústria, tecnologia, cultura, comércio exterior e trabalho. É uma cadeia capaz de gerar empregos verdes, movimentar territórios, fortalecer nossa identidade e posicionar o Brasil no mundo. Sustentabilidade sem produtividade e inclusão não será suficiente para transformar o setor”, afirma Daniel Calarco.
A industrialização sustentável ocupa posição central nessa agenda. O Brasil reúne biodiversidade, capacidade criativa, conhecimentos tradicionais e uma identidade cultural reconhecida internacionalmente. Para transformar esses ativos em desenvolvimento, entretanto, será necessário combinar inovação, financiamento, qualificação profissional, políticas industriais e inserção competitiva nos mercados internacionais.
A ONA defende que os empregos verdes da moda sejam reconhecidos e incorporados às estratégias de transição climática e desenvolvimento econômico. Costureiras, artesãs, designers, profissionais da reciclagem, pequenos produtores, cooperativas, pesquisadores e empreendedores periféricos não devem aparecer apenas na ponta final da cadeia: precisam participar da formulação das políticas e receber investimentos compatíveis com sua contribuição econômica, ambiental e cultural.
“Queremos construir uma economia da felicidade: uma economia que produz riqueza, mas também pertencimento, dignidade, beleza e identidade. A moda pode ser uma das expressões mais potentes desse projeto porque conecta o que cultivamos, o que produzimos e a maneira como desejamos ser reconhecidos pelo mundo”, acrescenta Calarco.
A iniciativa integra o trabalho da ONA Global Consulting para aproximar a agenda climática dos setores de moda, lifestyle, cultura e grandes eventos. A organização busca construir pontes entre governos, empresas, organismos internacionais, instituições acadêmicas e criadores para transformar compromissos globais em projetos concretos, investimentos e oportunidades nos territórios.
Sobre a ONA Global Consulting
A ONA Global Consulting é uma consultoria brasileira dedicada à construção de estratégias, projetos e parcerias nas áreas de sustentabilidade, relações internacionais, impacto social, cultura e economia criativa. Com atuação orientada à conexão entre agendas globais e soluções locais, a ONA trabalha para ampliar a presença do Brasil nos grandes debates internacionais e transformar criatividade, identidade e diversidade em desenvolvimento sustentável.



