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Uma pesquisa inédita do Ranking dos Políticos e divulgada nesta sexta-feira (10) traça o perfil do Congresso Nacional em 2026 e revela um Parlamento que combina posições duras na segurança pública com rejeição a medidas extremas, pragmatismo na economia e disposição para mexer em regras institucionais. O levantamento ouviu 112 deputados de 18 partidos e 30 senadores de 12 legendas entre 23 e 27 de março e tem margem de erro de 6,5 pontos percentuais.
Segurança pública
Na área penal, o Congresso se mostra favorável ao endurecimento de penas, mas com limites. A pena de morte é rejeitada por 64,8% dos deputados e 73,3% dos senadores. Por outro lado, a redução da maioridade penal tem apoio de 61,1% dos deputados e 70% dos senadores, seja para 16 anos ou com avaliação caso a caso.
No debate sobre armas, a posição predominante é a de flexibilização com restrições: 64,9% dos deputados e 70% dos senadores defendem algum tipo de facilitação no acesso à posse ou ao porte, mas sem liberação irrestrita.
"O Parlamento combina limites civilizatórios com um discurso mais duro na área penal", afirmou o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda.
Economia
Na pauta econômica, o Congresso demonstra preferência por soluções graduais. O modelo mais apoiado para empresas estatais é o de privatização seletiva, defendido por 57,4% dos deputados e 43,3% dos senadores.
Segundo Juan Carlos, o centro tem papel decisivo nesse campo. "Em vez de aderir aos polos, ele aparece como um campo do pragmatismo, apoiando soluções intermediárias como privatizações seletivas e revisões parciais de regras", afirmou.
Mudanças institucionais
O levantamento aponta desconforto com o desenho institucional atual. Entre os deputados, 51,9% defendem o fim da reeleição para cargos do Executivo. Já no Senado Federal, 40% apoiam essa mudança.
Já quando o assunto é o foro por prerrogativa de função, o famoso "foro privilegiado", a Câmara aparece bem dividida: 36,1% querem manter o modelo atual e 35,2% defendem o fim. No Senado, o resultado é diferente: a maioria (56,7%) prefere manter o mecanismo.
STF e liberdade de expressão
A pesquisa também investigou percepções sobre supostas ameaças à liberdade de expressão. Entre os deputados, 25% apontaram o Supremo Tribunal Federal (STF) como principal risco. No Senado, o percentual sobe para 43,3%. A chamada "cultura do cancelamento" aparece em segundo lugar, citada por 19,5% dos deputados e 16,8% dos senadores.
"O Senado parece mais cauteloso em temas institucionais e mais duro em certas percepções sobre o Supremo, enquanto a Câmara já aparece mais fragmentada", avaliou Arruda.
Para o diretor do Ranking dos Políticos, os resultados indicam que o Congresso busca mudanças sem rupturas. "O que aparece é um pedido de recalibragem: mudar regras, rever excessos e endurecer em alguns pontos, mas sem romper completamente com os freios institucionais", concluiu.




