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O Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, anunciou na noite desta terça-feira (26) que vai mudar de posição e declarar apoio ao fim da escala 6x1. Na prática, porém, o partido vai pedir para a Câmara dos Deputados votar o texto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no lugar da proposta negociada pelo governo com o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
O anúncio foi feito pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido, no Plenário. "Na hora da votação em plenário, apresentaremos destaque de preferência para votar a escala 4 por 3, porque nós somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família", disse.
O destaque de preferência é um instrumento regimental que permite a um partido pedir que uma proposta alternativa seja votada antes da principal. Se a versão de Hilton for aprovada, o texto do governo cai automaticamente.
A PEC de Erika Hilton prevê escala 4x3, ou seja, quatro dias de trabalho e três de folga, com jornada semanal de 36 horas e vigência a partir de um ano da sua promulgação. O texto do acordo entre o governo Lula e Hugo Motta estabelece escala 5x2, dois dias de folga e 40 horas semanais de trabalho, com transição completa em 14 meses.
A estratégia, admitida pelos próprios parlamentares bolsonaristas, é colocar o governo em uma posição politicamente delicada: para proteger o texto negociado, o PT terá que votar contra uma proposta mais generosa para os trabalhadores, indo contra princípios básicos do partido.
O Palácio do Planalto já está em alerta. Fontes do governo afirmaram que trabalham com cenário de tumulto na hora da votação, prevista para esta quarta (27) ou quinta-feira (28), e avaliam que há risco concreto de atraso na aprovação de uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Lula para as eleições de outubro.
Parlamentares governistas avaliam, no entanto, que Hugo Motta não deve deixar a manobra do PL prosperar, já que o presidente da Câmara fechou acordo com o Planalto sobre os termos do texto. A votação na Comissão Especial está prevista para quarta, e no Plenário na quarta ou quinta.



