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Quando Andy Burnham entrou em Downing Street nesta segunda-feira (20) como primeiro-ministro do Reino Unido, ele se tornou a sétima pessoa a ocupar o cargo em pouco mais de uma década. Entre 1966 e 2016, premiês britânicos permaneciam no posto por uma média de seis a sete anos — Margaret Thatcher governou por quase 12. De 2016 para cá, o ciclo médio caiu para cerca de dois anos, e incluiu o mandato mais curto da história do país: 49 dias, sob Liz Truss.
A porta giratória começou com David Cameron (2010-2016), que deixou o cargo após convocar o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e ver o país votar pela separação. "Não acho que seria correto eu ser o capitão que conduz o país ao próximo destino", disse ao renunciar. O Brexit definiu seu legado, mas Cameron também foi responsável pela primeira coalizão governamental britânica desde a Segunda Guerra Mundial e pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Theresa May (2016-2019) herdou a missão de concretizar o Brexit e foi consumida por ela. Quase conseguiu aprovar um acordo em 2018, mas enfrentou rebelião interna, sobreviveu a um voto de desconfiança e viu sucessivas versões de seu plano serem derrubadas pelo Parlamento. Renunciou sem ter entregado o divórcio europeu.
Boris Johnson (2019-2022) chegou ao poder com uma vitória arrasadora que quebrou o chamado "Muro Vermelho" — redutos trabalhistas no norte da Inglaterra que votaram conservador pela primeira vez. Meses depois, enfrentou a pandemia de Covid-19 e ele próprio foi hospitalizado em estado grave. Sua queda veio com o escândalo do "Partygate" — festas realizadas em Downing Street durante os lockdowns — que o tornou o primeiro premiê em exercício multado pela polícia por violar a lei.
Liz Truss (setembro-outubro de 2022) bateu o recorde de brevidade. Seu mini-orçamento de cortes tributários desestabilizou os mercados, derrubou a libra e provocou revolta dentro do próprio partido. Ficou no cargo menos tempo que uma alface — referência a uma transmissão ao vivo do jornal Daily Star, que monitorou se o vegetal duraria mais que a premiê. A alface venceu.
Rishi Sunak (2022-2024) assumiu como o primeiro premiê de origem étnica minoritária e de religião hindu da história britânica, com a missão de estabilizar a economia após o desastre de Truss. Convocou eleições antecipadas em maio de 2024 e foi varrido por uma vitória trabalhista histórica.
Keir Starmer (2024-2026) chegou ao poder com 411 cadeiras — o maior ganho trabalhista desde 1945 — e a promessa de recuperar a economia, transformar o Reino Unido em potência de energia limpa e revitalizar o sistema de saúde (NHS). Mas recuos em políticas sociais, escândalos envolvendo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos após a revelação de sua ligação com Jeffrey Epstein, e resultados desastrosos nas eleições locais de maio corroeram sua posição. Dois anos após a vitória eleitoral, foi substituído por Burnham.
Agora, o ex-prefeito de Manchester — que se apresenta como o oposto do tecnocrático Starmer — promete ser o premiê que quebra o ciclo. Mas herda as mesmas restrições orçamentárias, os efeitos persistentes do Brexit e uma população que, como ele próprio reconheceu, está "farta da política".



