Política

Relator da CPI do Crime Organizado pede prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias

Instalada em novembro, comissão tem prazo para encerrar os trabalhos em 14 de abril

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Relator da CPI do Crime Organizado pede prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias

Instalada em novembro, comissão tem prazo para encerrar os trabalhos em 14 de abril

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, protocolou nesta segunda-feira (6) o requerimento para prorrogar por 60 dias os trabalhos da comissão, cujo prazo de encerramento está previsto para 14 de abril. O documento conta com 28 assinaturas, número superior ao mínimo exigido para tramitação do pedido.

A CPI foi instalada em 4 de novembro de 2025 com mandato de 120 dias e orçamento de R$ 30 mil. Desde então, realizou 16 reuniões, com oitivas de autoridades como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, além de delegados, promotores e pesquisadores especializados em crime organizado.

A comissão, que é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), tem como finalidade apurar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial facções e milícias, investigando o modus operandi de cada uma, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região, bem como suas estruturas de tomada de decisão.

No requerimento, Vieira justifica a prorrogação pelo volume de documentos ainda a ser analisado e pela fase crítica em que se encontram as investigações, que exigem, segundo ele, cruzamento de dados sensíveis e oitivas pendentes. O relator cita especialmente os desdobramentos do Caso Master como fator que ampliou o escopo das apurações. "Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder", afirma.

Vieira aponta ainda a necessidade de ouvir governadores e secretários de segurança pública de diferentes estados da federação para concluir o diagnóstico sobre a atuação de facções e milícias em cada unidade federativa. Para o senador, encerrar a CPI agora representaria um retrocesso. "O encerramento prematuro desta CPI representaria não apenas um retrocesso inaceitável na elucidação completa da infiltração do crime organizado nos mais diferentes domínios da economia brasileira, mas também um prejuízo incalculável ao interesse público", diz no documento.

Autores

Mateus Oliveira é cientista político formado pela Universidade de Brasília. Fundador do portal Eixo Político, trabalhou por 6 anos na Câmara dos Deputados e passou pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Tem experiência na área de advocacy e análise política e já cobriu presencialmente as eleições do Brasil, Estados Unidos, Chile e Argentina.

Mateus Oliveira é cientista político formado pela Universidade de Brasília. Fundador do portal Eixo Político, trabalhou por 6 anos na Câmara dos Deputados e passou pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Tem experiência na área de advocacy e análise política e já cobriu presencialmente as eleições do Brasil, Estados Unidos, Chile e Argentina.