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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou atenção nesta quarta-feira (10) ao afirmar que “ama a inflação” durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca. A declaração ocorreu horas depois da divulgação de novos dados econômicos que mostraram uma aceleração da inflação no país.
Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, os preços ao consumidor subiram 4,2% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado representa o maior índice inflacionário registrado desde abril de 2023 e ficou acima do patamar observado em abril, quando a alta acumulada era de 3,8%.
Ao ser questionado sobre os números, Trump afirmou que os dados foram positivos e respondeu: “eu amo a inflação”. O presidente também voltou a defender sua condução da crise no Oriente Médio e argumentou que os preços da energia devem recuar quando o conflito terminar.
Analistas atribuem grande parte da pressão inflacionária ao aumento dos custos energéticos. A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã tem provocado turbulências no mercado internacional de petróleo, especialmente após as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de exportação de barris do petróleo.
O impacto da guerra já é sentido pelos consumidores americanos. O preço da gasolina acumulou forte alta nos últimos meses, contribuindo para elevar gastos com transporte e pressionando outros setores da economia. Além dos combustíveis, os dados oficiais apontaram aumentos em serviços como transporte aéreo, saúde, comunicação e lazer.
A aceleração da inflação ocorre em um momento delicado para a política monetária americana. Com os preços ainda distantes da meta de inflação de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, cresce a expectativa do mercado sobre os próximos passos da autoridade monetária, que pode manter os juros elevados por mais tempo ou até considerar novos aumentos caso as pressões inflacionárias persistam.
O cenário também adiciona um desafio político para o presidente. Durante a campanha eleitoral de 2024, quando derrotou a então vice-presidente Kamala Harris, o republicano prometeu reduzir o custo de vida dos americanos. No entanto, enfrenta agora uma nova escalada dos preços em meio às consequências econômicas da guerra no Oriente Médio, agravada após o envolvimento direto dos Estados Unidos no conflito durante o seu governo.



