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As eleições no Chile: o país laboratório vive mais um pleito decisivo entre três modelos de futuro

O Chile foi às urnas nesta semana num contexto de tensão institucional e incerteza ideológica.

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As eleições no Chile: o país laboratório vive mais um pleito decisivo entre três modelos de futuro

O Chile foi às urnas nesta semana num contexto de tensão institucional e incerteza ideológica.

Publicado em:

sexta-feira, 21 de novembro de 2025 às 09:53

O Chile foi às urnas nesta semana num contexto de tensão institucional e incerteza ideológica. Ao contrário da maioria dos países latino-americanos, o Chile não vive apenas uma disputa eleitoral — vive uma disputa existencial, sobre qual modelo de país pretende adotar após seis anos de instabilidade política, duas tentativas fracassadas de nova Constituição e uma crise de segurança pública sem precedentes.

O cenário político chileno hoje

O país vivenciou eventos estruturais:

  • Estallido Social (2019): maior onda de protestos desde o retorno da democracia.

  • Derrota do projeto de Constituição progressista (2022): rejeitado com mais de 60% dos votos.

  • Derrota da Constituição conservadora (2023): rejeitada por 55%.

  • Queda do apoio ao governo Boric: hoje com aprovação na casa dos 30%.

  • Explosão da violência e do crime organizado: o Chile virou corredor de cartéis internacionais.

Esse conjunto de fatores fez o eleitorado girar em busca de alternativas — ora progressistas, ora conservadoras, ora liberais.

Os principais blocos desta eleição

🔵

1. Centro-direita liberal

Representada por candidatos alinhados à herança tecnocrática e à agenda pró-mercado, defende:

  • Controle fiscal rigoroso.

  • Autonomia do Banco Central.

  • Incentivos à mineração e energias limpas.

  • Investimento maciço em segurança.

É o bloco que tenta resgatar o “Chile estável” pré-2019.

🔴

2. Esquerda progressista

Associada aos movimentos sociais que impulsionaram o estallido, defende:

  • Nova Constituinte.

  • Mudanças no sistema previdenciário (modelo hoje é majoritariamente privado).

  • Reformas tributárias para financiar serviços públicos.

  • Agenda ambiental rígida.

Tem base forte entre jovens urbanos, mas sofre desgaste pela frustração com Boric.

🟠

3. Direita dura / populista

Cresceu com força. Tem discurso:

  • Anti-imigração.

  • “Tolerância zero” ao crime organizado.

  • Proposta de endurecimento penal.

  • Retórica nacionalista.

É o bloco que mais ganha terreno na periferia de Santiago, onde a criminalidade explodiu.

Por que esta eleição importa internacionalmente?

Porque o Chile é termômetro.

Por 30 anos, foi exemplo de estabilidade na região. Hoje, é exemplo de transição caótica.

O resultado definirá:

  • O futuro da Constituição.

  • A direção da política econômica.

  • A resposta institucional ao crime organizado.

  • O papel do país na agenda ambiental global (o Chile é líder em lítio e cobre).

O Chile já foi laboratório do neoliberalismo. Depois, virou laboratório de reformas sociais. Agora, é laboratório da insegurança pública.

O mundo observa — porque o que acontece ali costuma, cedo ou tarde, reverberar no continente inteiro.

Autores

Graduado em Relações Internacionais e Marketing com foco em ciência de dados, especialista em comunicação política e marketing. Possui pós-graduação em Marketing pela Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e especialização em análise de risco político pela FGV.

Graduado em Relações Internacionais e Marketing com foco em ciência de dados, especialista em comunicação política e marketing. Possui pós-graduação em Marketing pela Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e especialização em análise de risco político pela FGV.

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