Política

FPN recebe Renan Santos para debate sobre reformas, competitividade e futuro do ambiente de negócios

Em encontro com empresários, parlamentares e representantes do setor produtivo, candidato à Presidência defendeu reformas fiscal, previdenciária e trabalhista, reindustrialização e uma estratégia para transformar o Brasil em potência econômica

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FPN recebe Renan Santos para debate sobre reformas, competitividade e futuro do ambiente de negócios

Em encontro com empresários, parlamentares e representantes do setor produtivo, candidato à Presidência defendeu reformas fiscal, previdenciária e trabalhista, reindustrialização e uma estratégia para transformar o Brasil em potência econômica

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A Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) e o Instituto Unidos Brasil (IUB) receberam, nesta terça-feira (18), em Brasília, o candidato à Presidência da República Renan Santos para mais uma edição da série “O Brasil em Debate com os Presidenciáveis”. Em reunião-almoço com empresários, parlamentares, representantes de entidades e lideranças do setor produtivo, Renan apresentou sua visão para o país e defendeu uma agenda de reformas estruturais voltada à recuperação da capacidade de crescimento, investimento e competitividade da economia brasileira.

O encontro integra a agenda da FPN e do IUB para ampliar o diálogo do setor produtivo com os candidatos à Presidência e colocar o ambiente de negócios entre os temas centrais do debate eleitoral. Ao longo da reunião, foram discutidos equilíbrio fiscal, reforma da Previdência, relações de trabalho, reindustrialização, infraestrutura, competitividade internacional, comércio exterior, inteligência artificial, segurança, desenvolvimento regional e o papel estratégico do Brasil no cenário global.

Na abertura, o presidente do Instituto Unidos Brasil, Nabil Sahyoun, apresentou aos participantes dados sobre o fechamento de empresas no país. Um contador em tempo real exibido durante o encontro mostrou que, em menos de meia hora, 117 empresas haviam encerrado suas atividades.

Para Nabil, os números ajudam a dimensionar os impactos de um ambiente econômico desfavorável não apenas sobre os empresários, mas sobre toda a sociedade.

“Esse número não representa apenas uma estatística. Ele traduz a perda de empregos, renda, investimentos e oportunidades, reforçando a urgência de construirmos um ambiente de negócios mais seguro, simples, competitivo e favorável ao empreendedorismo”, afirmou.

O vice-presidente do IUB, Antonio Castilho, destacou o papel do Instituto como espaço de diálogo e ressaltou a importância de ouvir diferentes projetos para o futuro do país, especialmente diante de um cenário marcado pela polarização política.

“Essa casa é a casa do debate. É a casa onde, há seis anos, nós criamos isso com um modelo inspirado nas maiores democracias do mundo. Sem o debate, nós não vamos conseguir evoluir. O país está hoje dividido e ainda sofre porque as pessoas estão fugindo do debate real”, declarou Castilho.

Reformas estruturais no centro da agenda

Em sua apresentação, Renan Santos afirmou que o Brasil precisa superar um cenário de baixo dinamismo econômico e recuperar a capacidade de formular um projeto de longo prazo. Para o candidato, isso passa pela adoção de reformas estruturais e por uma mudança na forma como essas medidas são apresentadas à sociedade.

Entre as propostas citadas, Renan defendeu uma nova reforma da Previdência, mudanças nas vinculações orçamentárias e desindexações. Segundo ele, essas medidas deveriam ser encaradas como instrumentos para aproximar o país das melhores práticas internacionais, reduzir pressões sobre os juros e abrir espaço para o crescimento econômico.

“Precisamos fazer uma nova reforma da Previdência, vamos desvincular o orçamento da saúde e educação da receita, vamos fazer as desindexações, porque assim a gente vai adequar o Brasil às melhores práticas internacionais e vamos fazer o nosso orçamento parar de impactar a nossa taxa de juros e o Brasil vai poder crescer com isso”, afirmou.

Renan também defendeu um ajuste fiscal capaz de reduzir o impacto da dívida sobre o orçamento público e ampliar o espaço para investimentos. Na avaliação do candidato, uma agenda dessa natureza produziria reflexos sobre juros, endividamento e crescimento econômico e, por isso, deveria mobilizar diferentes segmentos do setor produtivo.

“Uma reforma fiscal que diminui o impacto da dívida no orçamento, diminui a relação dívida/PIB, que faz com que aumente o espaço do orçamento discricionário, que o Estado possa investir mais, isso tem efeito sobre juros, tem efeito sobre dívida, tem efeito sobre crescimento econômico. São reformas que interessam a todos”, disse.

Reforma trabalhista e ambiente produtivo

Outro ponto defendido pelo candidato foi a necessidade de uma nova discussão sobre as relações de trabalho. Renan afirmou que uma nova reforma trabalhista deverá entrar na agenda nacional e questionou a ausência do assunto no debate entre as candidaturas presidenciais e na mobilização do próprio setor produtivo.

“Uma nova reforma trabalhista vai precisar ser feita. Por que nós não estamos unidos falando desse tema? Por que as candidaturas presidenciais não estão falando desse tema?”, questionou.

Ao longo da apresentação, o candidato também criticou propostas de redução da jornada de trabalho sem, na avaliação dele, uma discussão aprofundada sobre produtividade e os impactos para os setores econômicos. Renan citou especificamente o debate sobre o fim da escala 6x1 ao defender maior participação dos segmentos produtivos nas discussões que afetam diretamente empresas e trabalhadores.

Concorrência internacional e produtos chineses

A competição enfrentada pelo comércio e pela indústria brasileira diante da entrada de produtos estrangeiros também esteve entre os assuntos abordados.

Renan afirmou ter ouvido, em reuniões com representantes do varejo, preocupações relacionadas à tributação e à entrada de produtos chineses no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, defendeu que os setores econômicos não se mobilizem somente em torno de suas demandas específicas, mas construam uma agenda conjunta para reformas que tenham impacto transversal sobre a economia.

“Quando estava o setor de vocês nas outras discussões importantes, nas discussões que são amplas, que são transsetoriais? A gente não se une nos grandes temas”, afirmou.

Na avaliação apresentada pelo candidato, questões como política fiscal, relações de trabalho, juros, dívida pública e capacidade de investimento afetam todos os segmentos econômicos e, por isso, deveriam gerar uma atuação mais coordenada do setor produtivo.

Empresas, investimentos e crescimento

Renan também demonstrou preocupação com o fechamento de empresas e com o cenário de recuperação judicial no país. Em sua avaliação, esses indicadores fazem parte de um quadro mais amplo de perda de dinamismo econômico.

O candidato citou ainda a redução da complexidade de setores industriais brasileiros, a saída de jovens para estudar e trabalhar no exterior e as dificuldades de diferentes regiões para gerar atividade econômica privada.

Ao relatar viagens realizadas pelo país, Renan afirmou ter encontrado municípios com baixa circulação de mercadorias e pouca atividade econômica privada, especialmente em áreas mais pobres. Para ele, enfrentar essas desigualdades passa por ampliar as condições para investimento, produção e geração de oportunidades nos diferentes territórios brasileiros.

Inteligência artificial e nova economia global

Ao projetar os desafios dos próximos anos, Renan chamou atenção para as mudanças provocadas pela inteligência artificial e pela intensificação da competição entre as principais economias do mundo.

Para ele, o Brasil enfrenta uma “encruzilhada histórica” em um momento no qual as principais nações avançam em inteligência artificial e buscam ampliar sua influência econômica e geopolítica. Nesse contexto, apontou como desafios brasileiros o fechamento de empresas, o aumento das recuperações judiciais, a perda de complexidade industrial e a redução da relevância internacional.

O candidato defendeu que o país aproveite seus recursos naturais, energéticos e minerais como ativos estratégicos, mas consiga também desenvolver infraestrutura, indústria, tecnologia, marcas brasileiras com presença internacional e capacidade de produção cultural.

Brasil como potência

A visão de longo prazo apresentada por Renan teve como eixo a transformação do Brasil em uma potência econômica e geopolítica. O candidato afirmou que o tamanho territorial, os recursos energéticos e minerais e a posição internacional do país exigem uma estratégia mais ambiciosa de desenvolvimento.

Ao concluir sua exposição, Renan defendeu um Brasil com infraestrutura, grandes marcas internacionais, produção de cultura e soft power e capacidade de funcionar como um interlocutor entre o Ocidente e o Sul Global.

“É uma nova imaginação, a imaginação de um Brasil potência, de um Brasil que tem infraestrutura, de um Brasil que pode ter grandes marcas internacionais, que é produtor de cultura e soft power, que é um intermediário entre o Ocidente e o Sul Global”, afirmou.

Para o candidato, essa estratégia também passa por uma política externa que preserve a autonomia brasileira diante das grandes potências.

“Uma nação com o nosso tamanho territorial, uma nação com os nossos recursos energéticos, recursos minerais, não tem outra opção”, declarou Renan, ao defender que o país amplie sua capacidade de influência econômica e internacional.

A reunião-almoço faz parte da série “O Brasil em Debate com os Presidenciáveis”, promovida pela FPN e pelo IUB para aproximar o setor produtivo dos candidatos à Presidência da República e permitir que empresários e entidades conheçam, debatam e questionem as propostas apresentadas para o país.

A iniciativa também permite apresentar aos presidenciáveis as principais preocupações relacionadas ao ambiente de negócios brasileiro, ampliando o diálogo sobre segurança jurídica, competitividade, equilíbrio fiscal, geração de empregos, investimentos e desenvolvimento econômico.

Com os encontros, a FPN e o IUB reforçam a defesa de um debate eleitoral baseado em propostas concretas e na construção de caminhos para um ambiente de negócios mais simples, seguro, competitivo e capaz de estimular investimentos, empreendedorismo e crescimento econômico no Brasil.

Autor

Eixo Político

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