Publicado em:
sexta-feira, 21 de novembro de 2025 às 10:07
A prisão do CEO do Banco Master e a revelação do rombo financeiro envolvendo a instituição acenderam um alerta vermelho para o sistema previdenciário de estados e municípios. Mas, no caso do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, o impacto é ainda maior — porque parte relevante dos fundos de previdência dessas unidades está travada em investimentos ligados ao Master, agora sob investigação.
Como chegamos até aqui
Nos últimos 10 anos, o Brasil assistiu à expansão de bancos médios e plataformas de crédito privado. Com juros baixos entre 2017 e 2021, investidores — incluindo fundos de pensão públicos — buscaram produtos com maior rentabilidade: debêntures, CRIs, FIDCs, operações estruturadas.
O Master surfou exatamente essa onda:
Cresceu 400% em volume de ativos entre 2016 e 2023.
Tornou-se um dos maiores emissores de produtos de crédito privado.
Captou recursos de fundos privados, family offices e fundos de previdência de estados e municípios.
Só no Rio de Janeiro, o fundo de previdência (Rioprevidência) possui exposição estimada entre R$ 1,5 bi e R$ 2,2 bi, segundo fontes do mercado.
No Distrito Federal, o Iprev tem exposição menor, mas significativa — estimada em até R$ 600 milhões em produtos ligados ao Master.
O problema técnico: liquidez e marcação a mercado
Quando o Master entrou na mira da Polícia Federal, duas coisas aconteceram:
Ativos foram congelados, impedindo resgate.
A marcação a mercado despencou, reduzindo o valor contábil das carteiras.
Isso cria um triplo impacto:
Perda financeira imediata (desvalorização).
Risco de calote (se fraude for comprovada, ativos podem virar pó).
Risco fiscal (estados precisam cobrir rombos para pagar aposentados).
Para o Rio, que já tem um histórico dramático de desequilíbrios previdenciários, o impacto pode ser desastroso.
O que está em jogo
Servidores aposentados com risco de atraso ou redução de pagamento.
Pressão política sobre governadores.
Necessidade de intervenção da CVM e do Banco Central.
Revisão urgente das regras de investimento de fundos públicos.
O caso Master lembra episódios como:
O escândalo dos fundos de pensão em 2016 (Funcef, Petros, Postalis).
A crise dos bancos médios em 2008–2010.
A quebra de fundos municipais expostos a FIDCs fraudulentos.
Ou seja: não é um caso isolado — é um padrão brasileiro.
O que Rio e DF precisam fazer agora
Transparência imediata da exposição real ao Master.
Plano de contingência para garantir pagamento dos aposentados.
Auditoria independente nas carteiras.
Renegociação e proteção judicial contra perdas maiores.
Reforma das regras de investimento, limitando risco privado com dinheiro público.
No fim das contas
O rombo do Banco Master não é só um caso de polícia. É um caso de política pública.
Ele revela a fragilidade institucional de fundos públicos e a facilidade com que bilhões de reais em dinheiro de servidores podem ser alocados em estruturas de risco sem supervisão adequada.
E, como sempre no Brasil, quando gestores erram, bancos arriscam e órgãos de controle falham — quem paga é o aposentado.




