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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, suspendeu nesta segunda-feira (8) a divulgação da pesquisa eleitoral da AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026, que tratava da disputa à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão liminar, de caráter provisório, deve ser levada a referendo na sessão colegiada do tribunal.
A suspensão proíbe a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa enquanto o caso não for julgado pelo colegiado.
A decisão atende a requerimento do Partido Liberal, que pediu a suspensão do levantamento sob o argumento de que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), extrapolando o papel de verificação da opinião pública.
Em análise preliminar, Nunes Marques considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas. Entre os elementos apontados está a divulgação de áudio de investigação durante a aplicação do questionário. "A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado", afirmou o ministro na decisão.
O ministro destacou ainda que o CEO da AtlasIntel, em entrevista à emissora CNN Brasil no dia 19 de maio, teria reconhecido o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e apontou o desgaste eleitoral que isso representava. Para Kassio, há indicativos de que "a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística".
A decisão também ressalta que outras 27 pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada, nem veicularam áudio. "Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa", destacou o ministro.
O presidente do TSE determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar que comprove a regularidade da metodologia adotada, com especial atenção ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral terá um dia para se manifestar. Após essas etapas, o caso seguirá para julgamento pelo colegiado da Corte eleitoral, que poderá confirmar ou derrubar a liminar.



