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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na tarde desta terça-feira, 23 de junho de 2026, sobre a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz em Brasília na madrugada de 15 de junho. A oitiva ocorre de forma presencial na residência onde ele cumpre prisão domiciliar humanitária, a partir das 15h.
A arma, uma pistola Glock 9 mm, foi encontrada no veículo do militar Estácio Leite da Silva Filho, cedido ao serviço de segurança de Bolsonaro pela Casa Civil. O militar afirmou à Polícia Civil que havia retirado o armamento para realizar um reparo e que faria a devolução no dia seguinte.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização do depoimento e determinou que ele fosse presencial, e não por videoconferência, como havia solicitado a Polícia Civil. A justificativa foi que Bolsonaro está proibido de utilizar celular e outros meios eletrônicos de comunicação.
A defesa do ex-presidente apresentou ao STF uma versão para a presença da arma: integrantes da equipe de segurança teriam retirado o percussor da pistola, peça responsável pelo disparo, para tornar o armamento inoperante, sem o conhecimento de Bolsonaro. Segundo os advogados, a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos utilizados pelo ex-presidente "capazes de afetar sua cognição" tornavam a posse do armamento em plenas condições um risco. A defesa sustenta que não havia ilegalidade na posse da pistola, já que a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado não determinou a entrega das armas nem o cancelamento dos registros em seu nome.
O ponto investigado pela Polícia Civil é a ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) no veículo que transportava o armamento no momento da blitz.
Em despacho de 16 de junho, Moraes questionou por que Bolsonaro mantinha a arma em casa, por que havia um carregador sobressalente e por qual motivo o reparo foi solicitado às vésperas do fim do período inicial da prisão domiciliar, previsto para esta quinta-feira, 25 de junho.
É justamente essa data que concentra a decisão de maior peso: Moraes deverá determinar até quinta-feira se prorroga a prisão domiciliar, impõe novas condições ou altera o regime de cumprimento da pena. Para essa decisão, o ministro levará em conta os laudos médicos apresentados pela defesa, o comportamento de Bolsonaro durante o período e os episódios recentes registrados durante o cumprimento da medida — incluindo o caso da arma.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março de 2026, quando recebeu autorização do Supremo para concluir o tratamento de uma broncopneumonia.




